A rotina alimentar dos taikonautas a bordo da Tiangong acaba de ganhar um reforço tecnológico inédito. A estação orbital chinesa passou a contar com uma fritadeira sem óleo desenvolvida com tecnologia exclusiva para o ambiente de microgravidade, integrando um pacote amplo de modernização que também inclui micro-ondas inteligente e purificador de água de alta eficiência energética.
Cardápio variado e preparo rápido em gravidade zero
O grande diferencial da nova air fryer espacial é o seu mecanismo avançado de retenção e eliminação de vapor, o que viabiliza o cozimento seguro em cabine pressurizada. Com o aparelho, a tripulação consegue assar carnes, asas de frango e até bolos em cerca de 20 minutos, transformando o padrão das refeições fora da Terra.
A infraestrutura da cozinha orbital também recebeu um forno micro-ondas projetado contra vazamentos de radiação e com consumo reduzido de eletricidade. O avanço faz parte de uma reformulação nutricional que disponibiliza mais de 200 ingredientes distribuídos em um ciclo alimentar de dez dias. A dieta conta com verduras frescas, nozes, carnes nobres e uma novidade: a possibilidade de fermentar iogurte fresco diretamente na estação.
Estadias prolongadas e planos lunares
A melhoria na qualidade de vida dos astronautas coincide com metas cada vez mais ambiciosas do programa espacial chinês. Historicamente, as equipes permaneciam cerca de seis meses a bordo do complexo antes do revezamento. No entanto, um tripulante enviado em 25 de maio cumprirá uma missão de um ano contínuo no espaço, com o intuito de analisar os impactos fisiológicos da permanência prolongada sem gravidade.
Esse experimento fornece dados cruciais para o objetivo de Pequim de realizar um pouso humano na Lua antes de 2030, meta impulsionada pelos avanços das sondas do programa Chang’e. Adicionalmente, o país projeta iniciar até 2035 a implantação da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), iniciativa científica conduzida em cooperação com a Rússia.
O papel estratégico do “Palácio Celestial”
Conhecida formalmente como CSS e batizada como Tiangong (“Palácio Celestial”), a infraestrutura foi projetada para ter uma vida útil mínima de dez anos. O posto avançado ganhou relevância geopolítica após a China ter sido impedida de integrar a Estação Espacial Internacional (ISS) em 2011, quando o governo norte-americano vetou parcerias entre a Nasa e o país asiático.
Com a desativação da ISS programada para o fim desta década, a base chinesa tem grandes chances de se consolidar como o único complexo laboratorial habitado em órbita terrestre, reforçando a autonomia científica do país na nova corrida espacial.






