O avanço da legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) consolidou um novo marco político no país europeu neste domingo (20). Projeções de boca de urna indicam que a sigla garantiu o primeiro lugar nas eleições parlamentares do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste alemão, agravando a pressão sobre a liderança nacional.
Derrota histórica para os conservadores
De acordo com dados divulgados pela emissora pública ARD, a AfD obteve 37% dos votos, superando por margem estreita os social-democratas do SPD, que alcançaram 35,5%. O resultado sacramentou a segunda vitória estadual da sigla, ocorrendo apenas duas semanas após seu triunfo inédito no parlamento da Saxônia — primeiro êxito eleitoral da extrema direita no país desde a Segunda Guerra Mundial.
Em contrapartida, a governista União Democrata-Cristã (CDU) sofreu um revés dramático ao registrar apenas 5,5% da preferência, superando por pouco a cláusula de barreira necessária para ingressar no parlamento regional. Trata-se do índice mais baixo da legenda em uma eleição regional desde 1949.
Confira os índices apontados pela pesquisa de boca de urna em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental:
• AfD: 37%
• SPD: 35,5%
• Die Linke: 9%
• CDU: 5,5%
• Verdes: 5%
• BSW: 4%
• Outros: 3%
Cenário em Berlim e o isolamento partidário
Os eleitores da capital também foram às urnas neste domingo. No estado de Berlim, o partido de esquerda Die Linke conquistou a dianteira com 24,5% dos votos, seguido pela CDU, que alcançou 20%, e pela AfD, que terminou em terceiro lugar com 16%.
Apesar da liderança nas urnas no nordeste, a probabilidade de a AfD assumir o comando de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é remota. As legendas tradicionais mantêm o chamado “cordão sanitário”, pacto político tácito que descarta categoricamente qualquer coligação governamental com a agremiação extremista.
Futuro político de Friedrich Merz sob escrutínio
O chanceler federal Friedrich Merz classificou os números no nordeste como “um desastre”, mas assegurou que permanecerá à frente do governo. O líder conservador assumiu a responsabilidade pela derrocada e destacou que a nação precisa de “mudanças, firmeza, determinação e paciência” para conter o ímpeto da oposição radical.
Embora conte com o suporte de governadores de sua base partidária, Merz enfrenta crescentes questionamentos internos devido a índices desfavoráveis de popularidade e ao desgaste de reformas econômicas. O chanceler convocou uma cúpula de emergência com correligionários para reavaliar os rumos de sua gestão e conter a sangria eleitoral.






