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Turbinas eólicas no mar atraem caranguejos em Rhode Island

Turbinas eólicas no mar estão atraindo caranguejos em Rhode Island, mas cientistas ainda investigam se elas criam novos habitats ou apenas concentram os animais

A instalação de turbinas eólicas em alto-mar está transformando o leito do Atlântico Norte em um inesperado refúgio subaquático. Na costa de Rhode Island, nos Estados Unidos, as gigantescas fundações metálicas cravadas no oceano transformaram-se em ímãs biológicos, atraindo populações densas do Jonah crab, uma espécie de caranguejo de relevância comercial crescente para a pesca regional.

Recifes artificiais e oferta abundante de nutrientes

As colunas submersas dos parques eólicos Revolution Wind e South Fork Wind modificaram a paisagem do fundo do mar. Antes dominada por extensões arenosas e com poucos esconderijos, a área agora abriga estruturas verticais que funcionam como verdadeiros recifes artificiais.

Com o passar do tempo, as bases de aço passam por uma colonização natural acelerada. Organismos como mexilhões, cracas e diversas algas se fixam no metal, estabelecendo uma cadeia alimentar fértil. Esse banquete atrai os crustáceos, que encontram na base das torres tanto alimento contínuo quanto proteção contra predadores.

Atração superficial ou ganho biológico real?

Apesar do cenário aparentemente positivo, cientistas da Universidade de Rhode Island trabalham para responder a uma questão ecológica central: as turbinas eólicas realmente impulsionam a reprodução e aumentam a biomassa marinha ou apenas atraem indivíduos que já habitavam as redondezas?

A distinção é crucial para o equilíbrio ambiental. Se as estruturas apenas agruparem caranguejos dispersos, a população total não aumenta, tornando os animais presas fáceis e vulneráveis à sobrepesca nessas áreas específicas. Por outro lado, caso os pilares funcionem como ecossistemas produtivos capazes de sustentar novas gerações, haverá um saldo positivo para a biodiversidade oceânica.

Assinatura química revela os hábitos dos animais

Para desvendar esse mistério, o pesquisador Emmanuel Oyewole coleta exemplares capturados próximos aos parques eólicos e aplica técnicas laboratoriais de isótopos estáveis. Essa análise química compara a carapaça dos caranguejos com os tecidos musculares atuais.

Como esses animais trocam de casco periodicamente, a carapaça preserva a composição química do ambiente onde viviam meses antes da muda. O confronto desse registro mineral com os nutrientes do músculo revela com precisão se os caranguejos são moradores fixos das turbinas ou apenas visitantes sazonais.

Equilíbrio entre pesca e transição energética

A investigação ganha contornos econômicos urgentes com o aquecimento das águas oceânicas, fenômeno que provocou a redução drástica das lagostas na costa norte-americana. Diante dessa perda, a pesca do caranguejo tornou-se o principal sustento de inúmeras comunidades costeiras.

Os dados colhidos no litoral norte-americano servirão de base para o planejamento de projetos de energia eólica offshore em várias partes do mundo, demonstrando a importância de monitorar como as tecnologias limpas interagem com os ecossistemas marítimos.

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